Ansioso por nada. Como as promessas de Deus acalmam nossos medos.

Enquanto a cena horrível se desenrolava diante de mim, meus piores pesadelos ameaçando se tornar realidade, eu segurei meu filho – nascido apenas alguns segundos antes – e me perguntei silenciosamente como seria criar três filhos pequenos sem sua mãe.

Meia dúzia de médicos e enfermeiras entraram correndo na sala. O sangue se acumulou sob minha esposa momentos após o parto. O humor sombrio, sério e decidido da equipe médica me disse como a situação era terrível. Uma enfermeira pediu vigorosamente à minha esposa que autorizasse uma transfusão de sangue se medidas de salvamento fossem necessárias. Os médicos começaram a trabalhar, pulando gentilezas e dispensando todas as maneiras de cabeceira. Seus rostos e movimentos revelaram a gravidade da condição repentina e perigosa de minha esposa.

Um tsunami de pensamentos de medo e ansiedade inundou meu coração e mente. Como eu superaria a dor? O que eu diria aos meu filhos de 4 e 2 anos? Como eu contaria aos meus sogros? O que Deus poderia estar a fazer através disso? O mais preocupante é, eu ainda confiaria Nele se ela morresse?

Nossa Era de Ansiedade

Em sua misericórdia, Deus ouviu minhas orações desesperadas e preservou minha esposa. Os médicos e enfermeiras foram incríveis, e minha esposa se estabilizou e se recuperou. Mas o medo que senti naqueles momentos era real, e um exemplo extremo dos medos que encontramos regularmente ao longo da vida. A grande maioria de nossa ansiedade pode não ser tão grave, mas os sintomas são comuns e familiares. Nossos peitos se contraem. Uma sensação de mal-estar percorre nosso corpo. Pensamentos preocupantes nos mantêm acordados à noite. Os ataques de pânico podem causar paralisia momentânea. O aumento da pressão arterial expõe nossa preocupação.

Exacerbando nossos medos normais, vivemos numa época de ansiedade, com a preocupação aparentemente espreitando em cada esquina. Ondas de manchetes alarmantes, postagens em mídias sociais, atualizações por e-mail e pensamentos dispersos ameaçam nos jogar num espiral de trepidação. Os “e se” são infinitos: tiroteios em escolas, cancro, doenças inexplicáveis, contração de uma bactéria comedora de carne, perda de entes queridos, morte relacionada à pandemia, ruína financeira, violência e tumultos, incêndios florestais violentos, devastação e agitação, bebida contaminada água, cadeias de suprimento de alimentos quebradas, guerra nuclear, colapsos globais, economias em colapso e milhares de outros “piores cenários”.

Mais do que nunca, somos inundados com informações, e muitas delas jogam com nossos medos e ansiedades que não vêm de Deus. Pode se tornar um playground para os ataques direcionados de Satanás contra nós.

Então, como podemos nos preparar para enfrentar nossos piores medos? Como travamos guerra contra a ansiedade?

Ansioso por nada

Filipenses 4: 6–7 nos diz: “Não estejais ansiosos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.”. Mas como a oração, a súplica e o agradecimento arrancam as ervas daninhas da ansiedade em nossa vida? Ou, mudando a analogia, se o medo e a ansiedade são como as luzes indicadoras do painel de nossa alma, como identificamos e tratamos os problemas subjacentes?

A verdade de Filipenses 4: 6–7 não é um mantra que desfaz a ansiedade magicamente. Não é assim que a oração funciona (ou ansiedade). Apenas pedir a Deus para tirar a ansiedade não significa necessariamente que a névoa de pressentimento vai se dissipar imediatamente. Além de suas raízes espirituais, a ansiedade também pode originar-se em parte de fatores biológicos ou neurológicos além de nosso controle consciente. Embora a batalha possa ser mais complexa, muitas vezes nossas ansiedades revelam nossas almas e a ruptura entre nossas crenças declaradas e o estado de nossos corações.

Portanto, antes de ficarmos menos ansiosos, precisamos primeiro reconhecer que precisamos da ajuda de Deus. Não podemos travar a batalha sozinhos e com nossas próprias forças. As raízes da ansiedade são profundas demais para serem puxadas sem ajuda. Precisamos da ajuda de nosso Senhor para diagnosticar nossos corações e identificar as raízes da ansiedade.

Reconhecendo a ansiedade com humildade

O apóstolo Pedro faz uma ligação explícita entre humildade e renúncia à ansiedade:

Portanto, humilhem-se sob o grande poder de Deus e, no tempo certo, ele os exaltará.
Entreguem-lhe todas as suas ansiedades, pois ele cuida de vocês.
(1Pedro 5:6-7)

De acordo com Pedro, abandonar pensamentos ansiosos e medos requer o processo de várias etapas de admitir que (1) estou com medo e ansioso, (2) estou deixando de confiar em algum aspecto do caráter e da bondade de Deus, e (3) preciso sua ajuda para lançar essas ansiedades sobre Ele.

Em Números 13, por exemplo, doze espiões fazem um relatório sobre a Terra Prometida que Deus deu a Israel. Era uma terra que manava leite e mel, mas eles temiam a força dos habitantes. Eles começaram a duvidar da força de Deus e da promessa de dar-lhes a terra. Seu medo dos inimigos obscureceu sua visão da promessa de Deus, poder e plano de fazer o que ele disse que faria.

Naquele momento, eles precisavam admitir que temiam a derrota nas mãos de exércitos mais fortes com cidades fortificadas. Eles precisavam relembrar a promessa de Deus de dar-lhes a terra. E eles precisavam lançar suas ansiedades sobre seu Senhor crendo em sua palavra, apesar do medo que parecia mais real.

Fé é acreditar no que Deus diz, mesmo quando as circunstâncias parecem dizer o contrário. Fé é ver a graça invisível de Deus quando você é confrontado com um perigo real e presente. A luta para acreditar que todas as coisas contribuem para o bem, para aqueles que são chamados de acordo com o propósito de Deus (Romanos 8:28), é a luta diária para lembrar que Deus é sábio, bom, soberano e está em ação mesmo no meio de nossos medos e ansiedades.

Batalha profundamente dependente

Quando nos humilhamos diante de Deus, reconhecendo nossas fraquezas, medos e ansiedades, podemos começar a lançar essas ansiedades diante de nosso Senhor em oração, súplica e ação de graças (Filipenses 4: 6–7). Em cada etapa deste processo, lembramos o caráter e as promessas de Deus em nossas orações a Ele. Nossas orações mudam de “tira isto daqui Deus!” à humilde submissão e consideração fervorosa do caráter de Deus.

Pai do céu, ajuda-me a confiar em Ti na incerteza desta situação. Tu me lembras que eu não fui esquecido por Ti, que Tu contas os cabelos da minha cabeça e que eu não preciso temer (Lucas 12: 6–7). Ajuda-me a confiar que estás no controle, que estarás comigo nos dias que virão, que parecem tão incertos, e que Tu sabes do que preciso antes mesmo de eu pedir (Mateus 6: 8).
Nossos pedidos não são muito grandes para nosso Pai bondoso e generoso. Na verdade, muitas vezes, quando medos e ansiedades iluminam nosso painel, é um lembrete necessário para meditar em sua palavra, admitir nossos medos, compartilhar com amigos e conselheiros de confiança, vasculhar as Escrituras em busca das promessas de Deus e nos aproximar em oração.

Não fomos projetados para ser pessoas autossuficientes. Somos pessoas necessitadas que dependem de Deus, de sua palavra e de seu povo para guerrear contra a ansiedade.

Deus nunca se preocupa                                        

Por mais que dependa de você, faça uma guerra contra a ansiedade mirando na raiz. Jardineiros experientes dirão que a melhor defesa contra ervas daninhas é um bom ataque. Fortes plantas perenes florescentes, uma horta bem fertilizada ou até mesmo uma espessa grama verde absorvem os nutrientes e eliminam as ervas daninhas. Da mesma forma, ao desenraizarmos a ansiedade e o medo, devemos substituí-los por dependência, confiança, fé e intimidade com Jesus.

O fundamental na luta contra a ansiedade é descobrir uma alegria e uma satisfação mais profundas em Deus. Ele não apenas é confiável, soberano, no controle e bom, mas é a fonte de nossa vida. A morte e ressurreição de Jesus não são apenas um curativo aplicado sobre um osso quebrado, mas uma tala e gesso que nos mantém firmes em meio ao medo ou à dor. E no processo de oração, súplica e ação de graças, não ensaiamos mantras descuidadamente, mas nos aproximamos de uma pessoa. Não obtemos soluções rápidas para ansiedade, mas nos aprofundamos no relacionamento com o Senhor do céu e da terra, que mantém todas as coisas em suas mãos soberanas.

Nós travamos guerra contra a ansiedade, lembrando que fomos colocados em união com o Deus Triúno – Pai, Filho e Espírito Santo. E, surpreendentemente, Deus nunca se preocupa. Ele não teme nada, nunca está ansioso e nunca está sobrecarregado. Em sua paz perfeita, Ele nos promete – seus filhos – paz perfeita também. Isaías 26: 3 diz: “Tu conservas em paz aquele cuja mente está firme em ti, porque ele confia em ti”. Nós travamos guerra contra a ansiedade, amarrando nossos corações e mentes a Cristo.

Artigo original por Steven Lee (@5tevenLee) em: https://www.desiringgod.org/articles/anxious-about-nothing

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: