Ana de Aser

Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Ela era bem idosa, tendo vivido com o marido sete anos desde que tinha se casado.
Agora era viúva de oitenta e quatro anos. Ela não deixava o templo, mas adorava noite e dia, com jejuns e orações.
E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.

Lucas 2:36-38

Lucas nos apresenta a Ana, a Profetisa. Ela, como os pastores, os Magos e Simeão, confessou Jesus como o Cristo, nosso Senhor Encarnado, mesmo antes de Ele comemorar Seu primeiro aniversário na terra. E, no entanto, embora ela seja uma testemunha inestimável de Jesus Cristo, não podemos realmente relatar seu encontro real com Jesus.

Lucas nos dá informações valiosas sobre a cena. Podemos ler o relato muito detalhado de Simeão confessando Jesus como o Cristo. Então Ana chega ao Templo enquanto isso está a acontecer, mas Lucas decide não explicar mais detalhes. Simeão aparece em 11 versículos, 9 dos quais descrevem Seu encontro com Jesus no Templo naquele dia. Sabemos que Simeão segurou Jesus em seus braços, podemos rezar a mesma oração que ele fez, sabemos como Maria e José reagiram e o que Simeão diz diretamente a Maria. Em contraste, Ana recebe apenas três versículos, e apenas um versículo alude a ela estar no Templo ao mesmo tempo que Jesus. O que exatamente aconteceu? Não podemos dizer. As informações específicas que temos sobre Ana e o silêncio sobre seu encontro com Jesus são surpreendentes e intencionais. Há apenas uma descrição de seu encontro com Jesus. Exatamente onde ela conhece Jesus, Lucas decide ficar em silêncio.

Podemos imaginar o que aconteceu. Lucas explica em detalhes quem é Ana e nos leva a saber que Ana conheceu Jesus. Há um propósito claro aqui. Ele monta a cena para o encontro de Ana com Jesus, e então rapidamente pula o encontro e discute sua resposta ao ver Jesus para que o leitor pare e diga, espere um minuto, o que aconteceu?

A lacuna narrativa é uma característica recorrente no evangelho de Lucas. Lucas é um escritor brilhante e muitas vezes muito detalhado, então quando ele está contando uma história e de repente se torna vago ou até mesmo silencioso, como faz aqui, é um movimento calculado projetado para nos fazer notar a pausa repentina e meditar sobre o que ele está deixando de fora. Lucas está encorajando os leitores a se envolverem na Palavra com sua imaginação e a passar algum tempo meditando sobre os eventos aos quais ele se refere, mas não explica.

Com base nas informações que Lucas nos dá, podemos explicar muito do significado de Ana. Lucas fornece detalhes específicos sobre quem é Ana, e eles nos ensinam o que pensar sobre Ana. Seguindo o exemplo de Lucas, podemos preencher o significado de seu silêncio instigante.

Lucas menciona duas pessoas que dão testemunho Dele no Templo: Simeão e Ana. A Bíblia aconselha, e para casos específicos na Lei da Antiga Aliança até exige, o depoimento de duas testemunhas para estabelecer uma acusação legal importante (Deuteronómio 17; 19). Simeão e Ana são as duas testemunhas aqui, um par complementar. Ambos são piedosos e esperam pacientemente pela redenção de Israel. Eles representam toda a raça humana, masculino e feminino. Simeão é a testemunha masculina e Ana a testemunha feminina. O homem vem em primeiro lugar, mas não é bom que ele esteja sozinho, então a mulher vem em segundo lugar, junta-se ao trabalho do homem, e juntos completam seu serviço ao Senhor.

Simeão é profeta, porque Deus o inclui no conselho divino, e Ana é a profetisa, porque Deus a abençoa com essa graça. Ambos confessam que Jesus é o Cristo. Suas evidências combinadas são maiores do que se apenas um confessasse essa verdade. Simeão confessa Jesus como o Cristo do Senhor, e Ana confessa Jesus como o Redentor de Israel. Ambos esperavam que Ele seja o único a redimir Israel, e ambos estavam certos. Jesus cresceu para redimir o povo de Deus.

Lucas completa seu evangelho com outra cena de “testemunho de duas testemunhas” no capítulo 24. No caminho para Emaús, Jesus encontra Cleopas e uma segunda pessoa não identificada. Há uma tradição na Igreja que considera o casal marido e mulher. Só quando ouvem a Palavra e partilham a Ceia é que reconhecem Jesus de olhos abertos. Então, essas duas testemunhas trazem testemunho da ressurreição do Senhor aos onze discípulos em Jerusalém. Eles fortalecem o testemunho de Simão e estabelecem o caso da ressurreição do Senhor. As duas testemunhas oferecem provas convincentes.

Com Simeão e Ana, temos o depoimento de duas testemunhas confiáveis. É importante lembrar onde eles estão. Eles estão no templo. Mesmo antes que Jesus possa falar ou se mostrar o Cristo, mesmo antes de Seu batismo, Deus anuncia ao Seu povo fiel o nascimento de Seu Filho. Deus, o orgulhoso Pai, permite que o fiel Israel veja o Filho de Deus e O receba em Seu Templo. Que contraste com o infiel Israel. Herodes já quer Jesus morto, e quando Jesus crescer, os líderes do templo gritarão por Sua crucificação. Simeão e Ana nos mostram como o verdadeiro povo de Deus recebe Jesus: Jesus é Santo para o Senhor. Ele é o Cristo. Louvado seja Deus por preservar um povo verdadeiro para si mesmo. A menos que Deus nos adote em Sua família, estaríamos cegos para Seu Filho e nos oporíamos à Sua obra no mundo.

O versículo 36 diz: E havia uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Lucas nos diz o nome de Ana, sua tribo e o nome de seu pai.

Ana é filha de Fanuel da tribo de Aser. O significado de cada nome é importante. O nome Ana, ou como algumas traduções o traduzem, Hannah, nos lembra a outra Hannah famosa na Bíblia. Ana apresentou seu filho Samuel no templo como um menino diante de Deus, assim também, agora, Maria está apresentando Jesus no templo como um menino diante de Deus. Eli encontrou Samuel no templo e abençoou Samuel. Simeão encontrou Jesus no Templo e abençoou Jesus. Assim como Israel conhecia Samuel como um profeta estabelecido em toda a terra, todo o verdadeiro Israel conhece Jesus como o Profeta declarando toda a vontade de Deus. O nome Ana nos lembra dessas conexões úteis. Vemos uma repetição dos eventos de Samuel na vida de Jesus. Ele é o Novo Samuel para liderar Israel.

Fanuel não é mencionado em nenhuma outra Escritura. Possivelmente, o nome Fanuel traz à mente o lugar onde Jacob recebe seu coxear, Penuel (Gênesis 32). Fanuel, como o manco Jacob, sugere um povo lutando com Deus. Este significado certamente se encaixa com a apresentação de Lucas da luta de Ana. Ela nos mostra uma pessoa de Fanuel, um israelita fiel, esperando e ansiando por redenção.

Mais diretamente, porém, o nome Fanuel significa “Face de Deus”. Ana viu o rosto de Deus chamado Fanuel, seu pai terreno, para que ela pudesse reconhecer Fanuel quando o vir. Hoje, porém, algo melhor do que ver seu pai terreno, Fanuel, acontece. Ana vê a face de Deus em Jesus Cristo, a face de seu Pai Celestial. Quando Ana olha para o filho de Maria, Jesus, Ana está olhando para o rosto de Deus.

O texto, ao nos dar o nome do pai de Ana, leva nossa mente a considerar que Jesus é o Rosto de Deus. Jesus é Fanuel em carne. O amigo de Lucas, Paulo, chama Jesus de “a imagem do Deus invisível” (Colossenses 1:15). Hebreus 1 diz: “Ele é o resplendor da glória de Deus e a impressão exata de sua natureza”. João 1:18 diz: “Ninguém jamais viu a Deus; o único Deus, que está ao lado do Pai, ele o deu a conhecer”. Podemos ver Deus. Olhe para Jesus. Jesus é Fanuel, o rosto de Deus.

Porque importa que Ana seja da tribo de Aser? Aser era uma tribo do norte de Israel conquistada pela Assíria. Aser ficou conhecida como uma das dez tribos perdidas. O que antes estava perdido, agora está de volta. O Senhor trouxe e conduziu a tribo perdida de Aser para fora dos países para onde os havia expulsado (Jeremias 23:8). O Israel disperso é reconstruido na geografia do Rei Jesus. Esta é a obra de Deus. Deus está transformando as 12 tribos na Igreja.

Aser é filho de Lia. Em Gênesis 30:13, Lia diz: “Bem-aventurada sou! Pois as mulheres me chamarão de bem-aventurada.” Por isso ela chamou a criança de Aser. Aser significa Abençoado. O que você acha? As palavras de Lia ressoariam com Maria e seu filho Jesus? Sim! Em Lucas 1:48-49, Maria diz: “De agora em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque aquele que é poderoso fez grandes coisas por mim, e Santo é o seu nome”. Maria soa como Lia. Por causa de seu filho do Senhor, ela é abençoada e por isso celebra. Maria tornou-se uma nova Lia e Jesus é seu Aser. Descobrir essas ligações levaria um aserita piedoso, como Ana, a louvar a Deus.

A seguir, Lucas nos dá um breve resumo da vida de Ana: Ana era avançada em anos, tendo vivido com o marido sete anos desde quando era virgem, e depois como viúva até os oitenta e quatro anos. Ela foi casada sete anos desde que era virgem, talvez por volta dos 14 anos, e depois ficou viúva 63 anos até completar 84 anos.

Lucas respeita a velhice, então não há razão para ele esconder a idade de Ana. Mas o número também é simbólico. Oitenta e quatro representam a plenitude do povo de Deus. 84 = 7 x 12. Sete é o número da criação, ou conclusão, e 12 é o número das doze tribos de Israel. Então 84 é a conclusão do povo de Deus.

Ana, como Israel, chegou à plenitude dos tempos. Com a vinda de Jesus, Ana, de 84 anos, nos mostra que o sistema da Antiga Aliança está completo. Antes de Jesus, as associações tribais são importantes. Os Evangelhos registam as genealogias de José e Maria, e ambos remontam a Abraão, de José até Adão. A partir de agora, Jesus substitui as genealogias. O que importa não é mais de que tribo você é, mas se você nasceu de Jesus. As tribos encontram corpo em Jesus Cristo. Então Jesus vem, e Ana completa 84 anos. Ambos os eventos sinalizam a conclusão e cumprimento da antiga aliança em Cristo. Agora, Jesus traz uma Nova Aliança. Ele destruirá o antigo Templo e construirá um novo. A idade de Ana representa a conclusão do povo escolhido de Deus.

Ana era viúva. Ela é uma viúva humilde, então em sua humildade, ela foi capaz de ver Jesus. Mesmo muitos líderes judeus importantes em sua época não podiam reconhecer Jesus como o Filho de Deus, mas Ana o viu e espalhou a palavra para os judeus fiéis que aguardavam o Messias. Deus exalta os humildes, mas se opõe aos orgulhosos, não é?

A própria Sião é como uma viúva entre as nações, solitária e amarga (Lamentações 1:1). Então Ana compartilha a mesma condição de Sião. Uma viúva de 84 anos como Ana simboliza Sião, que está sendo renovada. A viúva de Israel está dando prova de que seu marido morto está voltando para ela novamente. Ela está fazendo uma confissão de salvação. Como representante da plenitude de todas as doze tribos, que se torna o novo Reino de Jesus, Ana confessa Jesus como o Cristo. Seu testemunho é o testemunho da Igreja.

A próxima frase de Lucas nos instruí: Ela não se afastou do templo, adorando com jejum e oração noite e dia. Ana era uma judia fiel e piedosa que recebeu Jesus. Ela nunca saiu do Templo. Como o último versículo de Lucas, depois que Jesus ascendeu, os discípulos “voltaram para Jerusalém com grande alegria e estavam continuamente no templo louvando a Deus” (Lucas 24:53). Tanto Ana quanto os discípulos nos dão uma lição de como as pessoas piedosas adoram juntas na casa de Deus.

Nos dias de Ana, havia muitas razões para ela evitar ir ao Templo. Seu jejum e orações falam de um dilema em seus dias. O jejum de Ana reconhece a necessidade de um redentor. Ela está se afastando da profanação, do fermento da justiça própria muito comum, da distração das pessoas que querem que o Templo sirva a seus propósitos e não aos de Deus, uma distração ainda hoje encontrada entre os salões da casa de Deus. Esse comportamento, jejuar e orar, é a elegia de Ana de sua situação para provocar Deus a agir em seu favor. Ela jejua de comida, fica fisicamente com fome, e essa fome física a lembra de sua fome por Deus a quem ela ora por alívio. A súplica de Ana é para que Deus realize a redenção de Jerusalém. Nós nos juntamos a ela quando oramos: “Senhor, salve seu povo de nossos inimigos que nos cercam”.

O jejum de Ana faz uma declaração contra as atividades pecaminosas que impedem a atividade de Deus entre Seu povo, e ela ora a Deus por salvação. Mas ela não entrega o terreno do Templo para os inimigos de Deus, reunidos ao seu redor como estão. Muitas vezes, retirar-se da Igreja é a resposta de pessoas que reconhecem suas falhas. Não, mas Ana é fiel para encontrar Deus em Seu lugar e orar por redenção. Ela testemunha a injustiça, mas suas orações fiéis – noite e dia – são ouvidas. O Redentor de Israel chegou.

Artigo original por Dave Shaw em https://theopolisinstitute.com/anna-of-asher/

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